Vamos falar de publicidade infantil?

Se tem algo que sinto falta é da minha infância, talvez a minha geração seja uma das últimas que teve uma, isso porque a geração atual a cada dia perde a magia de ser criança, um resultado de um longo trabalho de doutrinação ideológica do Estado. Não queria falar de ideologias ou de política aqui, mas é impossível falar de publicidade infantil e não falar sobre isso.

Para aqueles que não sabem, a publicidade infantil foi proibida de vez aqui no Brasil em 2014 com a resolução 163 do CONANDA, vejamos o art. 2º:

Art. 2º Considera-se abusiva, em razão da política nacional de atendimento da criança e do adolescente, a prática do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança, com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço e utilizando-se, dentre outros, dos seguintes aspectos:

I – linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores;

II – trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança;

III – representação de criança;

IV – pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil;

V – personagens ou apresentadores infantis;

VI – desenho animado ou de animação;

VII – bonecos ou similares;

VIII – promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e

IX – promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.



Então diga adeus aos Pokemóns do Guaraná Antártica, as promoções de juntar tampinhas e trocar por coias da Coca-Cola ou os famosos Tazos da Liga da Justiça da Elma Chips (Nostalgia!).

Tazos da Liga da Justiça

Alguns especialistas alegam que essa medida é para evitar a obesidade infantil, outros dizem que é para evitar que as crianças sejam consumistas, o fato é que sem a publicidade infantil isso pode prejudicar a economia do país e inclusive as próprias crianças.

O que não foi pensado pela CONANDA é como uma empresa que faz parte deste seguimento de mercado vai sobreviver sem um dos seus 4 Ps que é a propaganda, será que é possível uma empresa sobreviver em um mercado competitivo sem poder anunciar seus produtos? O fato é que muitas empresas estão driblando a resolução e ainda continuam investindo em publicidade infantil, outras empresas só ainda não faliram porque são multinacionais e estão localizadas em países onde a publicidade infantil é liberada.

A resolução causou um prejuízo de quase dois bilhões de reais na economia, muita gente ficou desempregada e muitos empresários desistiram de empreender neste mercado, a cada dia temos menos conteúdo de diversos ramos voltado ao público infantil.

Se existe algum tipo de entretenimento voltado para esse público, é graças ao patrocínio que as produtoras recebem, a Disney por exemplo sede os direitos de um personagem para uma determinada marca usar na embalagem de seu produto, se você acaba com isso, as produtoras irão parar de produzir conteúdo infantil por não terem patrocínio, um exemplo clássico são os artistas que fazem músicas infantis, se na década de 90 tínhamos uma infinidade de CDs infantil, hoje tudo se resume a Galinha Pintadinha e a Patati e Patatá, que ainda insistem no mercado. Emissoras de TV já não possuem mais programas infantis por falta de patrocínio, isso sem falar em desenhos animados nacionais, se antes era difícil ter esse tipo de conteúdo feito por brasileiros, hoje isso entrou em extinção.



O resultado é que crianças estão a cada dia agindo menos como crianças, pois só tem contato com coisas de adulto, ouvem músicas para adulto, veem programas de TV voltados para adultos e raramente tem contato com coisas de criança.

É claro que existe empresas que extrapolam os limites, mas isso se resolve com fiscalização, então deve sim, regulamentar e impor limites para a publicidade infantil e não proibir a mesma de vez.

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