Estatística descritiva e indutiva e conceitos básicos

Introdução à estatística

A estatística é uma ciência que se utiliza de metodologias para explicar fenômenos. Por meio dela, dados pesquisados e coletados permitem a comparação, analise e interpretação de diferentes situações, que contribuem para a compreensão de um determinado evento.

Segundo Crespo (2011, p.03), “a Estatística é uma parte da Matemática Aplicada que fornece métodos para a coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmo para tomada de decisões”.

Por exemplo: Ao pesquisar preços, condições de pagamento e taxas de juros para a compra de um bem, você coleta dados, analisa, compara e, assim, toma a sua decisão, certo? Estas ações fazem parte das técnicas da Estatística.

Aspectos históricos

A história da Estatítica acompanha a evolução do homem. No Império Romano, por exemplo, eram realizados levantamentos sobre a população. Porém, apenas no século XVIII a Estatística passou a ser considerada como ciência, quando o matemático Gogofredo Achenwall (1710-1772) sistematizou processos para organizar os bens e cidadãos de um Estado, e organizou-os para criar um novo ramo científico, com o nome Staatenkunde, que mais tarde passou a ser conhecida por Statistic (em português, Estatística), determinando seus objetivos e suas relações com as ciências (MEMÓRIA, 2004).

Atualmente, a Estatística desempenha um papel fundamental para tomada de decisões e estudo de fenômenos, tanto no âmbito empresarial quanto político, social, entre outros, sobretudo na administração pública. No Brasil, a contagem da população, por meio do Censo, é feita desde o século XIX (BOTELHO, 2005).

Conceitos

TERMO CONCEITO EXEMPLO
Universo ou população estatística Conjunto formado por todos os elementos que possuem uma determinada característica a ser catalogada e analisada. Ao realizarmos uma pesquisa em uma escola, o universo será todos os alunos que estudam na escola, pois possuem a característica ou condição de serem alunos da escola.
Amostra É um subconjunto do conjunto universo, ou seja, é uma fração da população estatística, que serve como parâmetro para deduzir o comportamento de toda a população. Em uma pesquisa envolvendo alunos do Ensino Médio brasileiro, como trata-se de um número muito vasto de alunos, opta-se por pesquisar grupos representativos de estudantes, ou seja, por uma amostra.
Fenômeno estatístico É qualquer evento que se pretenda analisar, cujo estudo seja passível da aplicação de uma técnica estatística, como médias gerais e por população. O número total de presidiários e o número de presidiários por grupo de cem mil habitantes no Brasil.
Dados estatísticos São as informações coletadas durante a realização de uma pesquisa. Para o exemplo anterior, calcula-se o número total de presidiários e o número total de habitantes do Brasil
Variável Dados coletados que podem ser classificados de acordo com seus atributos, isto é, podem ser classificados em variáveis qualitativas (que não são expressas numericamente, baseando-se em características da amostra) e quantitativas (que podem ser descritas numericamente pela amostra). Qualitativas: Gênero; cor de cabelo; religião etc. Quantitativas: Quantidade de filhos; quantidade de geladeiras que possui cada família; idade; peso etc.
Censo É o levantamento e análise de dados estatísticos relacionados a uma determinada população (não necessariamente humana). Censo demográfico; Censo escolar; Censo Agropecuário.

Fonte: adaptado de BUSSAB & MORETTIN (2010).

Como podemos observar, há diferentes categorias e elementos que compõem uma análise estatística. No quadro, vimos apenas alguns conceitos e técnicas aplicadas pela Estatística para observação, análise e avaliação de um fenômeno estatístico e da evolução das populações.

Estatística Descritiva

A Estatística pode ser classificada em dois blocos de pesquisa, no que diz respeito à observação dos fenômenos estatísticos, da avaliação das amostras e deduções gerais: a Estatística descritiva e a Estatística Indutiva. Esta divisão nos permite realizar análises de diferentes tipos de população e amostras, visando obter referências sobre o fenômeno estatístico a ser discutido.

A Estatística Descritiva permite a realização da descrição dos fenômenos de forma resumida. Ela é considerada como a etapa inicial de uma pesquisa, tendo como meta observar e descrever fenômenos da mesma natureza, coletando, organizando e classificando dados numéricos, apresentando gráficos e tabelas dos dados observáveis e realizando cálculos de coeficientes (BUSSAB & MORETTIN, 2010).

Segundo Crespo (2011), a Estatística Descritiva é composta das seguintes fases:

  • definição do problema: o pesquisador definirá o problema a ser estudado e analisará outros estudos realizados sobre o tema. Caso não existam, o pesquisador deverá formular o problema com base em seu conhecimento;
  • coleta de dados: este passo é considerado como operacional, pois envolve a coleta das informações e o registro sistemático dos dados primários (informações obtidas pelo próprio pesquisador) ou secundários (dados provenientes de outras fontes ou pesquisadores). A coleta de dados pode ocorrer de duas maneiras diferentes: direta ou indireta. A coleta direta é gerada a partir de uma fonte direta de pesquisa, como no caso do Censo (entrevistas realizadas junto aos indivíduos). Já a coleta indireta é realizada por dados de outras pesquisas;
  • apuração de dados: nesta etapa, o pesquisador realiza a tabulação dos dados brutos, ou seja, conta e organiza os dados coletados;
  • apresentação de dados: os dados deverão ser o organizados em tabelas e gráficos:
  • apresentação tabular: os dados são organizados em linhas e colunas, de forma ordenada, de acordo com normas fixadas pelo Conselho Federal de Estatísticas (CONFE);
  • Apresentação gráfica: os dados são sistematizados de forma a gerarem diferentes categorias de análise (para o caso da população, por exemplo, categorias como habitantes de zero a cinco anos, de cinco a dez anos etc.), possibilitando, assim, serem descritos de maneira ilustrativa, por meio de diferentes tipos de gráficos (barras, colunas, linhas etc.);

Portanto, a Estatística Descritiva representa a etapa inicial da análise, objetivando a descrição dos dados coletados e utilizando tabelas e gráficos para apresentar os resultados analisados.

Estatística Indutiva

A Estatística Indutiva refere-se ao processo de generalização das conclusões que o pesquisador faz a partir dos resultados obtidos, ou seja, ele infere as propriedades da parte para o todo, da amostra à população (BUSSAB & MORETTIN, 2010).

  • amostragem não probabilística: a seleção de amostra baseia-se nas decisões do pesquisador;
  • amostragem probabilística: a seleção de amostra não depende do pesquisador e é aleatória. Por exemplo, quando um pesquisador decide investigar quantas vezes o valor “quatro” é obtido em uma série de lançamentos de dados, cujos resultados serão catalogados.

Diferenças entre a Estatística Descritiva e a Indutiva

A Estatística descritiva opera com dados e observações bem determinadas, visando estabelecer relações e aplicações de técnicas de pesquisa sobre estes dados, como médias, distribuições por classes, entre outros. Para a Estatística Indutiva, o foco reside sobre o tipo e a qualidade da amostra, para que se possa fazer um esforço da análise desta amostra para a população geral, que não pode ser visualizada naquele momento.

Por exemplo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realiza Censos de toda a população a cada dez anos. Porém, este órgão acompanha, anualmente, a evolução da população e outras características (emprego, renda, padrões de consumo), por meio da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), que coleta informações sobre uma fração da população geral.

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